Projeto PIBID 2011-2013

PLANO DE TRABALHO DO PROJETO INSTITUCIONAL E SUBPROJETOS DAS LICENCIATURAS EM BIOLOGIA, FÍSICA, MATEMÁTICA E QUÍMICA REFERENTES AO EDITAL Nº 001/2011/CAPES

 

Nome da Instituição UF CNPJ
Universidade Federal do ABC UFABC 07.722.779/0001-06
Título do Projeto: Formação de Professores de Filosofia, de Ciências e de Matemática em contextos colaborativos.
Licenciatura

Bolsistas

Supervisores

Licenciatura em Ciências Biológicas

10

2

Licenciatura em Filosofia

10

2

Licenciatura em Física

10

2

Licenciatura em Matemática

10

2

Licenciatura em Química

10

2

Coordenadora Institucional do projeto: Mirian PachecoSilva

 

Plano de trabalho

O plano de trabalho é inspirado no Projeto PIBID/2009 intitulado “Integração Escola-Universidade na Formação de Professores de Ciências e Matemática” que está em desenvolvimento na UFABC, e também, no Projeto Pedagógico das Licenciaturas da UFABC. O objetivo é proporcionar um constante aprimoramento profissional e pessoal, para coordenadores, supervisores e bolsistas, reconhecendo principalmente o caráter dinâmico e social da profissão e o papel representado pela escola e, em especial, pela sala de aula na formação inicial e continuada.

As estratégias a serem adotadas para atuação dos bolsistas nas escolas da rede pública de educação envolvem quatro etapas que são: observação e participação nas aulas, elaboração de atividades e materiais didáticos para o ensino, planejamento de ensino junto ao professor supervisor e regência. Todas essas etapas deverão ocorrer de forma articulada com as ações que ocorrem na escola visando a maximização de esforços para elevar a qualidade da Formação Inicial dos estudantes da Licenciatura.

A observação e a participação nas aulas são compreendidas como o momento de adaptação que deve acontecer para todos os envolvidos no projeto. O objetivo é que o aluno bolsista possa observar a escola e participar de algumas atividades realizadas pelo supervisor em sala de aula. Nessa etapa, os bolsistas deverão se envolver nas várias atividades docentes como participar de reuniões do conselho de classe, reuniões com pais e reuniões pedagógicas. Tanto os bolsistas quanto os supervisores realizarão leituras propostas pelo coordenador de área. Essas leituras deverão possibilitar a discussão, definição e finalização do plano de trabalho para o desenvolvimento dos subprojetos. A elaboração de atividades de ensino e materiais didáticos deve ser realizada por meio de uma integração entre propostas de ação previstas nos subprojetos e planos de ensino dos professores supervisores, de forma a promover uma estreita cooperação entre as escolas de educação básica e a universidade.

O planejamento das atividades de ensino, junto ao professor supervisor, deve proporcionar aos estudantes de licenciatura o diálogo e a discussão sobre as experiências metodológicas e a prática docente. Nesse sentido, a sala de aula compreendida como espaço para observação e regência, possibilitará a vivência de situações reais de ensino–aprendizagem, assim como a identificação de situações críticas e formas de superação de problemas. Esta vivência deve ser acompanhada de um olhar investigativo, construído por meio de discussões com professores supervisores e coordenadores dos subprojetos, de modo a promover nos participantes uma atitude reflexiva sobre suas ações no processo de ensino e aprendizagem. O olhar investigativo sobre as ações em sala de aula deve estender-se também aos professores supervisores, proporcionando-lhes a oportunidade de se conscientizarem de suas ações como forma de constante aprimoramento.

Para realizar o acompanhamento e avaliação do projeto será promovido o diálogo entre formação inicial e continuada, assim como entre pesquisa e extensão. Para isso o projeto prevê a construção de grupos colaborativos, formados por professores supervisores, estagiários e coordenadores, unidos pelo compartilhamento das questões a investigar. Estas questões devem ser geradas dentro dos próprios grupos, tanto por necessidades práticas, relativas às vivências em sala de aula, quanto por resultados de pesquisas acadêmicas, de modo a proporcionar a articulação das dimensões teórica e prática da formação docente e, também, mobilizar os professores supervisores como co-formadores dos futuros professores. Os momentos de acompanhamento e avaliação serão realizados por meio de reuniões periódicas, recebimento de relatórios, participação e realização de eventos específicos para discutir os resultados do PIBID.

Em síntese, o plano compreende as seguintes etapas:

  • Definição do plano de trabalho para desenvolvimento do projeto e subprojetos;
  • Instituição de convênios com escolas de educação básica;
  • Seleção de estudantes de licenciatura bolsistas e professores supervisores por meio de editais;
  • Articulação do trabalho dos professores supervisores com as linhas de investigação propostas nos subprojetos fomentando a pesquisa sobre/no ensino;
  • Orientação de ações de observação, participação, planejamento, regência e investigação, pelo coordenador de cada subprojeto;
  • Planejamento de aulas de forma integrada, de modo a tornar a sala de aula espaço de investigação e formação tanto para estudantes de licenciatura, quanto para professores supervisores;
  • Elaboração de atividades diversificadas e interdisciplinares tendo em vista a melhoria do processo de ensino e aprendizagem de conceitos filosóficos, científicos e matemáticos e sua contextualização na educação básica;
  • Incorporação do espaço de regência para os estudantes de licenciatura à rotina de trabalho dos professores supervisores;
  • Realização de reuniões periódicas entre todos os envolvidos no projeto,
  • Organização de Simpósios, na UFABC, para divulgação dos resultados;
  • Avaliação do desenvolvimento das linhas de investigação em cada subprojeto;
  • Avaliação do processo de iniciação à docência de cada estudante de licenciatura;
  • Avaliação do impacto dos subprojetos nas escolas conveniadas;
  • Divulgação de relatos de experiência e de resultados alcançados.

Algumas etapas descritas neste projeto, bem como as ações previstas, os resultados pretendidos, critérios de seleção, justificativa e informações relevantes foram previstos, no todo ou em parte no projeto PIBID de 2009. Neste projeto, as alterações e ampliações que apresentamos visam superar as dificuldades que detectamos durante o desenvolvimento do projeto de 2009.

Por fim, importa dizer que esse projeto é de importância central no projeto pedagógico da UFABC , como se percebe nos princípios nele explicitados, destacando-se: a integração do conhecimento através da interdisciplinaridade; o reconhecimento da existência de uma nova dinâmica do conhecimento, que exige “o desenvolvimento de atitudes de questionamento científico”; a necessidade da participação da universidade no processo de crescente integração da sociedade e a indissociabilidade entre as atividades de pesquisa, ensino e extensão.

 

Área: Biologia

Subprojeto da Licenciatura em Biologia
Coordenador de Área do Subprojeto: Daniela Lopes Scarpa
Plano de trabalho

A Alfabetização Científica tem sido objeto de interesse de pesquisadores e professores das mais diversas nacionalidades, subsidiando discussões sobre os currículos das áreas de ciências naturais. Nessa direção, desenvolver as habilidades que permitam ao cidadão maior familiaridade com as inovações científicas e tecnológicas presentes em seu cotidiano tem sido uma das preocupações do ensino de ciências sob este enfoque. Em consonância a essas preocupações, a UNESCO (2005) apresenta como relevante o envolvimento social na formação científica e tecnológica do cidadão:

(…) o ensino de Ciências é fundamental para a população não só ter a capacidade de desfrutar dos conhecimentos científicos e tecnológicos, mas para despertar vocações, a fim de criar estes conhecimentos. O ensino de Ciências é fundamental para a plena realização do ser humano e a sua integração social. Continuar aceitando que grande parte da população não receba formação científica de qualidade agravará as desigualdades do país e significará seu atraso no mundo globalizado. (UNESCO, 2005, p. 2).

O desenvolvimento acelerado da tecnologia no que se refere especialmente às ciências da vida impõe conhecimentos ao cidadão que o subsidiem na tomada de decisões em seu cotidiano. A incorporação, discussão e aplicação desses novos conhecimentos nos currículos escolares faz parte de um programa de promoção da alfabetização científica que implica em que os jovens estudantes dos níveis fundamental e médio compreendam, além dos conceitos e procedimentos científicos, o papel da biologia na sociedade. Os propósitos almejados pelos documentos oficiais nacionais, como a LDB e os PCNs, para o ensino de ciências e biologia, são condizentes com os pressupostos da Alfabetização Científica na medida em que propõem a integração entre diferentes áreas disciplinares, a contextualização do conhecimento e o desenvolvimento de saberes e habilidades pelo indivíduo que atua para além dos contextos escolares.

Não obstante, é notória a dificuldade em se concretizar nas salas de aula de ciências de biologia os objetivos almejados pela Alfabetização Científica (seja pelos resultados em avaliações como o SARESP e o PISA, seja pela lacuna de materiais didáticos diversificados, seja pelas experiências em cursos de formação inicial e continuada de professores). Nessa perspectiva, e por meio de trabalho colaborativo entre os atores participantes da universidade e da escola, se inserem os objetivos do presente projeto, a saber: (i) discussões sobre as práticas escolares presentes nos currículos de ciências e biologia numa perspectiva da Alfabetização Científica e Tecnológica; (ii) reformulação dessas práticas sob uma perspectiva criativa, investigativa e interdisciplinar, a partir da articulação entre a formação inicial e a formação continuada.

De acordo com os Eixos Estruturantes da Alfabetização Científica, propostos por Sasseron (2008), a saber: (1) compreensão básica de termos, conhecimentos e conceitos científicos fundamentais; (2) compreensão da natureza da ciência e dos fatores éticos e políticos que circundam sua prática e (3) entendimento das relações existentes entre ciência, tecnologia, sociedade e ambiente, será proposta aos bolsistas do PIBID uma investigação sobre:

  • a presença de temas que envolvam possíveis relações entre ciência, tecnologia, sociedade e ambiente (como biotecnologia, clonagem, transgênicos, mudanças climáticas, saúde e medicina) nos currículos propostos oficialmente e nos currículos praticados nas salas de aula de ciências do Ensino Fundamental e de biologia do Ensino Médio;
  • a forma e a metodologia usadas pelos professores para desenvolverem esses temas;
  • as relações estabelecidas pelos alunos entre os conceitos e linguagens científicos e as problemáticas ambientais e sociais mais amplas.

Os bolsistas deverão propor atividades, articulados com os professores supervisores, que promovam o exercício da linguagem e da argumentação científica, como uma dos aspectos envolvidos na Alfabetização Científica. Essas atividades também devem apresentar um caráter investigativo que traduza os procedimentos e características da prática científica que envolve temas biológicos. Para que possa propor atividades contextualizadas ao projeto político pedagógico da escola, o bolsista deverá participar das reuniões de planejamento, pedagógicas e dos conselhos escolares. Da mesma forma, o professor supervisor da escola, deverá participar das reuniões do PIBID na universidade, bem como dos colóquios e seminários que são propostos pela área na UFABC e em outras instituições.

 

Área: Fílosofia

Subprojeto da Licenciatura em Filosofia
Coordenador de Área do Subprojeto: Patrícia Del Nero Velasco
Plano de trabalho

A reinserção da disciplina Filosofia como obrigatória na grade curricular do Ensino Médio é algo relativamente recente (cf. Lei nº 11.684, de 2 de junho de 2008, que altera o artigo 36 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, incluindo as disciplinas Filosofia e Sociologia como obrigatórias nos currículos do Ensino Médio). Não obstante, as reflexões em torno da pertinência e relevância da Filosofia na formação de crianças e jovens não são novas nos meios educacional e acadêmico. Tem-se como exemplo a obra O Ensino da Filosofia no 2º Grau, organizada por Nielsen Neto em 1986, na qual pesquisadores da Associação Filosófica do Estado de São Paulo (Afesp) constroem propostas para o ensino de Filosofia, bem como refletem sobre as possibilidades e os limites desta prática.

Cerca de duas décadas passadas, a temática do ensino de Filosofia revela-se extremamente atual, não somente pela supracitada recém-homologação da obrigatoriedade do mesmo no Ensino Médio, como também pelo problema constantemente posto de legitimação da Filosofia como disciplina, o qual perpassa o que se faz e o que se pensa dela pedagogicamente.

Destarte, conforme atesta Gelamo (2010), se em um primeiro momento as pesquisas sobre ensino de Filosofia incidiam sobre a necessidade de fundamentação do valor formativo desta, no atual contexto outras preocupações norteiam as reflexões nessa área, a saber, questionamentos sobre o que ensinar e, igualmente, sobre como fazê-lo. Neste sentido, investigações sobre os temas e conteúdos a serem ensinados e possíveis metodologias se constituem como imprescindíveis objetos de pesquisa.

No contexto supramencionado, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo apresentou o Caderno do Professor, o qual pretende oferecer “orientação completa para o desenvolvimento das situações de aprendizagem propostas para cada disciplina” (Secretaria da Educação, 2008), dentre essas, a Filosofia.

A composição do Caderno suscitou inúmeras críticas de especialistas, tanto com relação aos conteúdos e às propostas de atividades quanto com respeito à obrigatoriedade do mesmo. Não obstante, críticas pertinentes e bem fundamentadas a parte, esta obrigatoriedade é uma realidade e nesta perspectiva este subprojeto foi delineado: uma vez imposto o uso do Caderno aos professores de Filosofia da rede pública de ensino do Estado de São Paulo, que contribuições os pesquisadores da área podem dar à utilização do mesmo? Como auxiliar os docentes na interpretação do material e em um uso filosófico e pedagógico dos Cadernos? Como sensibilizar os alunos às temáticas apresentadas, aproximando-as da vivência cotidiana desses discentes?

Com este intuito, o presente subprojeto tem um duplo objetivo geral, a saber, desenvolver: (i) pesquisa e produção de material didático auxiliar aos Cadernos do Estado; (ii) criação de material de sensibilização para os temas tratados/contemplados nos Cadernos. Assim sendo, pretende-se buscar outras referências bibliográficas para os conteúdos estudados, tanto aquelas que possam auxiliar o professor na preparação da aula quanto outras que possam ser usadas pelos próprios alunos. Ademais, serão pensadas outras estratégias de inserção dos conteúdos a serem ministrados, atividades cujo intuito seja aproximar os alunos do universo filosófico.

Uma vez postos os objetivos gerais, constituem-se objetivos específicos deste subprojeto: (i) oferecer ao professor supervisor do projeto (e aos demais professores da rede) um material que auxilie a prática didática dos Cadernos; (ii) possibilitar ao discente da Licenciatura em Filosofia o desenvolvimento do pensamento investigativo, crítico, reflexivo, rigoroso e criativo; (iii) propiciar ao aluno do Ensino Médio uma aproximação efetiva da Filosofia, procurando mostrar que as temáticas filosóficas permeiam as nossas vivências.

 

Área: Física

Subprojeto da Licenciatura em Física
Coordenador de Área do Subprojeto: Maria Inês Ribas Rodrigues
Plano de trabalho

Com a mudança no enfoque das pesquisas em ensino para o seu processo e não mais para o seu produto, muito se tem avançado no que diz respeito à formação dos professores nas últimas três décadas. As preocupações iniciais apontavam, dentre outras, para a insuficiência no curso de Licenciatura e na formação continuada dos professores. Neste contexto, uma das propostas seria possibilitar aos envolvidos uma formação que lhes permitisse o abandono da racionalidade técnica (SHÖN, 1983), na medida em que passassem a refletir sobre os referenciais teóricos e metodológicos envolvidos nos projetos implementados na escola. Estes resultados permitiram, então, que propostas fossem desenvolvidas e implementadas de forma a produzir, com seus resultados, novas possibilidades na formação inicial e continuada de professores.

Sob um enfoque mais amplo, o trabalho colaborativo (BRISCOE & PETERS, 1997; RODRIGUES, ;2010) possibilita que todos os envolvidos passem pelo processo de formação, onde um dos principais elementos é a troca de experiências. Mizukami et al.(2002) apontam que a construção contínua de saberes pode acontecer de forma colaborativa a partir dos diferentes níveis de desenvolvimento profissional dos participantes de um grupo. Sob este enfoque os desafios são vencidos coletivamente, num processo de apoio mútuo, que entre outros resultados apontam para a reconstrução da maneira de agir e de pensar dos profissionais do ensino participantes do processo

Um aspecto prático, da discussão acima, pode observado no trabalho de Rodrigues e Carvalho (2002), que apresenta uma proposta de trabalho de integração entre a Universidade e a Escola como uma possibilidade de formação continuada a partir da reflexão sobre a prática, envolvendo uma equipe de professores-pesquisadores no âmbito do ensino de física. Como resultado, ficou evidente a relevância do trabalho colaborativo como norteador do desenvolvimento profissional dos envolvidos assim como da melhoria no ensino da Termodinâmica em suas salas de aula.

As autoras também ressaltam nos resultados que o trabalho em equipes de professores, que se unem por livre vontade, tem grandes chances de alcançar seus objetivos, já que esta integração promove a superação dos obstáculos que, normalmente, surgem no contexto da implementação de inovações na escola.

Um outro aspecto importante é a formação continuada do formador do professor, pois este ao atuar no contexto colaborativo também torna possível seu próprio desenvolvimento profissional (RODRIGUES & ABIB, 2010), o que aponta para uma via de mão dupla entre a Universidade, como centro formador, e a Escola, como formadora de cidadãos.

O apoio aos professores principalmente pelos diretores e coordenadores da escola, assim como pelos órgãos governamentais tem sido apontado como um outro fator relevante para que as propostas atinjam seus objetivos (FULLAN, 1982).

Evidentemente, o trabalho colaborativo também possibilita a formação inicial do professor, que participa deste mesmo processo. Um resultado interessante é apresentado no trabalho de Duarte et al.(2009), quando um projeto elaborado a partir do trabalho de integração entre uma Universidade e uma Escola pública em Taguatinga, DF, permitiu que os próprios licenciandos do Curso de Física refletissem e pesquisassem sobre a própria prática num contexto de implementação da proposta inovadora no ensino de física. Este trabalho fora orientado pela proponente do atual projeto, docente daquela instituição universitária.

Mediante estes pressupostos, na UFABC já estamos desenvolvendo O Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), que no caso do ensino de física tem realizado ações que estão permitindo a implementação de inovações no âmbito da experimentação, integrando professores e licenciandos nesta proposta. Neste projeto, enfatiza-se o desenvolvimento de competências e habilidades (BRASIL, 1999) nos alunos do ensino médio, por meio de suas participações no desenvolvimento do projeto.

Nesta nova etapa do PIBID, o trabalho colaborativo possibilitará uma reflexão crítica sobre as ações em todos os níveis a partir de reuniões na UFABC assim como nas Escolas participantes. A proposta envolverá a participação dos alunos bolsistas no processo investigativo nas escolas e elaboração de um plano de aulas em conjunto com os professores- supervisores de modo a implementar, em sala de aula, atividades inovadoras sob a perspectiva dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN (BRASIL, 1999), assim como integrados aos conteúdos pertinentes aos Cadernos do Governo do Estado de São Paulo, tendo todo o processo e sua respectiva avaliação realizado pela professora orientadora. Os participantes serão incentivados à reflexão sobre a prática, na medida em que deverão elaborar suas reflexões por escrito e discutir alguns dos aspectos nas reuniões. As discussões orais, durante as reuniões, poderão ainda nortear a re-elaboração das atividades propostas de acordo com cada contexto vivenciado em sala de aula. O desenvolvimento de saberes teóricos acontecerá a partir de leituras de textos e pesquisas na área de ensino de física.

Esta proposta também poderá ser implementada no contexto do Ensino Fundamental II (EF II), que permitirá aos alunos bolsistas elaborarem a mesma proposta envolvendo agora os aspectos qualitativos da física, por meio de atividades investigativas. Esta proposta tem por objetivo apresentar a Física integrada ao cotidiano do aluno, evidenciando a sua familiarização. Professores supervisores participarão da mesma forma que na proposta anteriormente discutida para o EM.

 

Área: Matemática

Subprojeto da Licenciatura em Matemática
Coordenador de Área do Subprojeto: Alessandro Jacques Ribeiro
Plano de trabalho

Pretende-se apontar neste plano de trabalho as principais motivações e inquietações que deflagraram a proposição deste subprojeto, bem como apresentar alguns de seus objetivos específicos.

Há muito se discute o quanto as salas de aula de Matemática podem ser um espaço bastante propicio para o surgimento de idéias e discussões acerca dos significados que os “assuntos” da Matemática podem assumir. Entretanto, muitas vezes tais situações nem sempre são compreendidas pelos alunos ou mesmo exploradas pelos professores. Correndo o risco de ser injusto, arriscaria dizer que, muitas vezes, elas sequer são consideradas como legitimas na construção do conhecimento matemático. Em diversas áreas das ciências o estudo dos significados tem sido considerado e contemplado desde longa data. Em Filosofia por exemplo, pode-se observar indícios desta preocupação nos estudos de Frege – que fazia uma distinção entre significados e referentes – ou nos de Wittgenstein – que relacionava os significados aos seus usos. No âmbito da Educação Matemática em especial, diferentes significados podem e, na maioria das vezes, devem ser discutidos nas aulas de matemática (KILPATRICK, HOYLES, SKOVSMOSE, 2005). Tais discussões podem possibilitar assim a ampliação daqueles significados que se fazem presentes nas idéias, ações e discursos de alunos e de professores. Há de se considerar ainda que, quando nos referimos aos processos de ensino e de aprendizagem de Matemática, certamente deve-se contemplar significados da matemática pura, significados da matemática escolar, significados do senso comum, entre outros. Em síntese, essas primeiras discussões parecem apontar para o surgimento de dois importantes elementos a serem considerados quando dos processos de ensino e de aprendizagem em matemática: a heterogeneidade de significados e o ambiente onde tais significados estão imersos.

Nesse contexto se inserem os objetivos deste projeto, o qual pretende considerar, de forma articulada, a formação inicial e continuada do professor num ambiente de trabalho colaborativo (GAMA, R. P., FIORENTINI, D., 2009; GAMA, R. P., FIORENTINI, D., 2008) . Esse ambiente deve incluir alunos, escolas e universidade. A proposta de se buscar diferentes significados de conceitos matemáticos na prática da sala de aula e na colaboração entre os atores que compõem tal cenário, pode romper com a dicotomia entre teoria e prática na formação do professor. Tal proposta pode ainda (1) possibilitar um rico ambiente de reflexão na/sobre a prática do professor e (2) possibilitar uma ampliação/aprofundamento da concepção de Matemática ligada ao “dia-a-dia”, quando a mesma está inserida num ambiente de resolução de problemas. Por fim, apresenta-se como objetivos para consolidação do subprojeto:

  1. Investigar diferentes significados de conceitos matemáticos nos processos de ensino e de aprendizagem de Matemática, no âmbito dos Ensinos Fundamental e Médio;
  2. Desenvolver e explorar atividades matemáticas que contemplem os diferentes significados dos conceitos matemáticos utilizando-se, por exemplo, de uma metodologia de resolução de problema e/ou de investigações matemáticas;
  3. Possibilitar aos alunos da Licenciatura em Matemática a interlocução com alunos dos Ensinos Fundamental e Médio, e seus professores, inserindo os assim no lócus das escolas públicas. Possibilitar ainda que esses futuros professores reflitam sobre suas ações na e para a prática do exercício do magistério, bem como de seu desenvolvimento na pesquisa;
  4. Formar um grupo colaborativo entre os alunos da licenciatura, os professores das escolas conveniadas e os docentes/pesquisadores da universidade para (re)iniciar processos de formação continuada.

 

Área: Química

Subprojeto da Licenciatura em Química
Coordenador de Área do Subprojeto: Paulo de Avila Junior
Plano de trabalho

Observa-se no artigo 205 da Constituição Brasileira de 1988 uma valorização da formação da pessoa para a vida, na qual sua formação possibilite a sua preparação ao mercado de trabalho e o exercício da cidadania. Recomendações semelhantes são encontradas em documentos oficiais nacionais [BRASIL, 1999 e BRASIL, Conselho Nacional de Educação – Câmara de Ensino Superior, 2001] e internacionais [UNESCO, 1998]. Todas remetem ao estímulo do desenvolvimento de habilidades e competências, por exemplo, saber selecionar e interpretar informações, trabalhar em equipe e possuir capacidade crítica, de auto-aprendizagem e de argumentação. Uma forma de atender a essas necessidades, estimulando uma formação mais plena do cidadão, é aproximar os estudantes de graduação de maneira sistemática das formas de fazer e divulgar Ciência. Isso porque na atividade científica são necessárias a busca, a análise e a relação de informações para a resolução de um problema. Como essa capacidade de julgamento (senso crítico), a busca e a análise lógica de informações, o trabalho em equipe e a constante criação de hipóteses e ou modelos explicativos não estão restritos à pesquisa, mas necessárias em todos os segmentos da sociedade, a aproximação dos alunos à Ciência é justificada [Avila Jr. e Torres, 2010]. Essa aproximação com a Ciência é ainda mais importante para os alunos do curso de Licenciatura, pois além de ser tema de sua carreira profissional, o sucesso no letramento científico destes possibilitará uma atitude de pesquisa baseada na ação-reflexão-ação sobre a própria prática em prol do seu aperfeiçoamento e da aprendizagem dos alunos. Além disso, esses futuros professores poderão exercitar o estímulo ao letramento científico de muitas outras pessoas através das atividades por eles propostas em sala de aula. Neste sentido, serão propostas aos bolsistas do PIBID, através do ensino de ciências e de química, a investigação de como os alunos de educação básica: (1) atribuem significado ao ensino de ciências; (2) atribuem significado ao ensino de química; (3) lêem e interpretam textos de divulgação científica; (4) atribuem significado ao ensino CTSA; (5) procuram informações científicas (revisão bibliográfica); entre outros. Os bolsistas do PIBID deverão propor atividades práticas, experimentais ou não, sob anuência dos professores supervisores na escola, considerando-se os Parâmetros Curriculares Nacionais, as Propostas Curriculares do Estado de São Paulo e a realidade e os interesses dos alunos e professor supervisor de educação básica, de modo que estes sejam estimulados a participar ativamente no processo de aprendizagem. Os alunos bolsistas do PIBID acompanharão as reuniões escolares e os professores supervisores participarão das reuniões do PIBID na universidade, assim como serão estimulados a participar dos seminários da área de ensino na universidade. Dessa forma, os bolsistas PIBID se envolverão com o projeto pedagógico das escolas, com os professores e seus planejamentos, a fim de proporem intervenções pedagógicas planejadas e formarem um grupo colaborativo de trabalho, com foco na melhoria no ensino de ciências e no ensino de química. Os bolsistas PIBID (alunos de graduação e professores supervisores) terão as suas atividades avaliadas periodicamente, sendo considerado o completo cumprimento ao planejamento previamente estabelecido colaborativamente.