Projeto: Integração Escola-Universidade na Formação de Professores das Ciências e Matemática

PLANO DE TRABALHO DO PROJETO INSTITUCIONAL E SUBPROJETOS DAS LICENCIATURAS EM BIOLOGIA, FÍSICA, MATEMÁTICA E QUÍMICA

REFERENTES AO EDITAL Nº 02/2009 – CAPES/DEB

 

1. Nome da IPES UF CNPJ
Fundação Universidade Federal do ABC SP 07.722.779/0001-06
2. Título do Projeto
Integração Escola-Universidade na Formação de Professores das Ciências e Matemática
3. Categoria administrativa: (x) Federal ( ) Estadual
4. Licenciatura

Bolsistas

Supervisores

Licenciatura em Física

10

02

Licenciatura em Biologia

10

02

Licenciatura em Química

10

02

Licenciatura em Matemática

10

02

Nome e endereço das escolas da rede pública de Educação Básica participantes do projeto institucional
Nome: Escola Estadual Dr. Celso Gama. Endereço: Praça Assunção, s/n – Vila Assunção. CEP: 09030-520 Santo André – SP
Nome: Escola Estadual Profª Inah de Mello. Endereço: Rua Austrália, 05 Parque das Nações. CEP: 09280-300 Santo André – SP
Nome: Escola Estadual Prof. Oscavo de Paula e Silva. Endereço: Rua Pacaembu, 96. Pq. Central. CEP: 09280-610 Santo André – SP

 

Coordenador do projeto institucional: Mirian Pacheco Silva
Plano de trabalhoO plano de trabalho é inspirado no Projeto Pedagógico das Licenciaturas da UFABC e visa capacitar professores para um constante aprimoramento profissional e pessoal, reconhecendo o caráter dinâmico e social da profissão e o papel representado pela escola e, em especial, pela sala de aula na formação inicial e continuada desse profissional. Neste projeto, a iniciação à docência deve compreender quatro formas de ação dos estudantes de licenciatura: observação de aulas, elaboração de atividades de ensino, planejamento de ensino junto ao professor supervisor e regência. A elaboração de atividades de ensino deve ser realizada por meio de uma integração entre propostas de ação previstas nos subprojetos e planos de ensino dos professores supervisores, de forma a promover uma estreita cooperação entre as escolas de educação básica e a universidade.A sala de aula, tomada como espaço de observação e regência, deve proporcionar aos estudantes de licenciatura a vivência de situações reais de ensino–aprendizagem, assim como a identificação de situações críticas e formas de superação de problemas. Esta vivência deve ser acompanhada de um olhar investigativo, construído por meio de discussões com professores supervisores e coordenadores dos subprojetos, de modo a promover nos participantes uma atitude reflexiva sobre suas ações no processo de ensino-aprendizagem. O olhar investigativo sobre as ações em sala de aula deve estender-se também aos professores supervisores, proporcionando-lhes a oportunidade de se conscientizarem de suas ações como forma de constante aprimoramento. Para promover o diálogo entre formação inicial e continuada, assim como entre pesquisa e extensão, o projeto prevê a construção de grupos colaborativos, formados por professores supervisores, estagiários e coordenadores, unidos pelo compartilhamento das questões a investigar. Estas questões devem ser geradas dentro dos próprios grupos, tanto por necessidades práticas, relativas às vivências em sala de aula, quanto por resultados de pesquisas acadêmicas, de modo a proporcionar a articulação das dimensões teórica e prática da formação docente e, também, mobilizar os professores supervisores como co-formadores dos futuros professores.

Em síntese, o plano compreende as seguintes etapas:

  • Definição do plano de trabalho para desenvolvimento do projeto e subprojetos;
  • Instituição de convênios com escolas de educação básica;
  • Seleção de estudantes de licenciatura bolsistas e professores supervisores;
  • Articulação do trabalho dos professores supervisores com as linhas de investigação propostas nos subprojetos;
  • Incorporação do espaço de regência para os estudantes de licenciatura à rotina de trabalho dos professores supervisores;
  • Planejamento de aulas de forma integrada, de modo a tornar a sala de aula espaço de investigação e formação tanto para estudantes de licenciatura, quanto para professores supervisores;
  • Elaboração de atividades diversificadas e interdisciplinares tendo em vista a melhoria do processo de ensino e aprendizagem de conceitos científicos e matemáticos e sua contextualização na educação básica;
  • Orientação de ações de planejamento, regência e investigação, pelo coordenador de cada subprojeto;
  • Avaliação do desenvolvimento das linhas de investigação em cada subprojeto;
  • Avaliação do processo de iniciação à docência de cada estudante de licenciatura;
  • Avaliação do impacto dos subprojetos nas escolas conveniadas;
  • Divulgação de relatos de experiência e de resultados alcançados.

Esse projeto é de importância central no projeto pedagógico da UFABC, como se percebe nos princípios nele explicitados, destacando-se: a integração do conhecimento através da interdisciplinaridade; o reconhecimento da existência de uma nova dinâmica do conhecimento, que exige “o desenvolvimento de atitudes de questionamento científico”; a necessidade da participação da universidade no processo de crescente integração da sociedade e a indissociabilidade entre as atividades de pesquisa, ensino e extensão.

Detalhamento de SUBPROJETOS

Subprojeto de licenciatura em: BIOLOGIA
Coordenador de área do Subprojeto: ROSANA LOURO FERREIRA SILVA
Plano de trabalhoEste plano de trabalho parte do pressuposto que um dos objetivos da escola básica é a formação para a cidadania ativa. Perpassa o papel do cidadão, a interpretação e ressignificação de símbolos da sua cultura, entre eles aqueles produzidos pelas mídias. Dessa forma, será proposto aos bolsistas PIBID a investigação de como alunos da educação básica fazem suas leituras (processo de atribuição de significados) sobre a forma e o conteúdo de programas televisivos, filmes, imagens, publicidade, revistas, entre outros, que tratem de temáticas que envolvam questões biológicas, como clonagem, gene, DNA, mudanças climáticas, saúde, entre outros. A interação entre a cultura da mídia, a cultura escolar e a cultura científica é o principal objetivo desse plano. Os bolsistas deverão propor atividades, articulados com os professores supervisores, que explorem os conteúdos biológicos de um determinado programa televisivo, ou de outro tipo de mídia, discutindo criticamente seus conteúdos e articulando com o conhecimento biológico que é trabalhado no ensino fundamental e médio. Para que possa propor atividades contextualizadas ao projeto político pedagógico da escola, o bolsista deverá participar das reuniões de planejamento, pedagógicas e dos conselhos escolares. Da mesma forma, o professor supervisor da escola, deverá participar das reuniões do PIBID na universidade, bem como dos colóquios e seminários que são propostos pela área na UFABC. A Profª Drª Meiri Aparecida Gurgel de Campus Miranda, docente da área de Ensino da UFABC, participa como colaboradora voluntária desse projeto.

 

Subprojeto de licenciatura em: FÍSICA
Coordenador de área do Subprojeto: MARIA CANDIDA VARONE DE MORAIS CAPECCHI
Plano de trabalhoNeste projeto busca-se enfatizar o caráter cultural e simbólico do conhecimento científico no ensino de Física. Para isso, pretende-se que os estudantes bolsistas, em parceria com seus professores supervisores, vivenciem diferentes abordagens, estratégias e recursos didáticos envolvidos na realização de atividades para o ensino-aprendizagem de alguns temas e conceitos relevantes da Física Clássica e da Física Moderna. Também é foco do projeto a discussão do papel representado pelas interações discursivas, entre professor e alunos e dos alunos entre si, no aproveitamento efetivo do potencial dessas atividades em sala de aula.Visando proporcionar o diálogo em sala de aula sobre a natureza do conhecimento físico e, também, sobre interfaces entre a Física e outras áreas do saber, pretende-se promover o desenvolvimento de atividades que contemplem tanto experimentos, tradicionalmente relacionados ao ensino de Física, como o trabalho com textos literários, menos comum nas aulas de Ciências Naturais.

Para constituir um espaço de interação efetiva entre escola e universidade, é essencial que o planejamento das ações dos estudantes de licenciatura dentro da escola seja elaborado em conjunto com o professor supervisor e molde-se de forma harmoniosa aos planos de ensino já existentes. É a partir do conhecimento do projeto pedagógico do professor supervisor que os estudantes bolsistas irão selecionar e estruturar as atividades a serem concretizadas nos seus momentos de regência.

É importante ressaltar ainda que, embora o desenvolvimento e a realização das atividades de experimentação e daquelas envolvendo textos literários constituam o foco deste projeto, a inserção dessas atividades na escola deve ser coerente com a estrutura e os objetivos gerais do curso inteiro. Assim, os alunos bolsistas também devem estar engajados no planejamento de todo o curso e na elaboração dos instrumentos de avaliação da aprendizagem.

A experimentação com diferentes conteúdos e estratégias didático-pedagógicas em situações reais de sala de aula, a conscientização sobre a importância do domínio dos conteúdos de Física (saber e saber sobre) e a necessidade de constante reflexão para a (re)etruturação do curso, das aulas e das ações em sala de aula (saber fazer) devem proporcionar aos bolsistas uma vivência da escola como lugar privilegiado de aprendizagem também para o professor, onde diversos saberes da docência podem ser articulados e revisitados, constantemente, no processo de formação do profissional docente. Este projeto foi elaborado em conjunto com a Professora Doutora Maria Beatriz Fagundes, do Centro de Ciências Naturais e Humanas da Universidade Federal do ABC, que também atua como colaboradora voluntária.

 

Subprojeto de licenciatura em: MATEMÁTICA
Coordenador de área do Subprojeto: PLÍNIO ZORNOFF TÁBOAS
Plano de trabalho Este plano de trabalho parte do pressuposto de que é muito comum as pessoas se sentirem desestimuladas para o aprendizado da matemática, uma vez que ela não é natural como bordões do tipo “Matemática, a Rainha das Ciências” tenta induzir. Ela é, sim, um construto humano tanto quanto a própria ciência moderna o é e, portanto, não énatural! Soma-se a esse desconforto o fato de que a evolução da matemática ocidental em dois mil anos estruturou um corpo lógico-axiomático altamente abstrato e pouco intuitivo na medida em que se consolidou o seu rigor formal. Dessa maneira, ela se torna pouco atraente para o leigo e especialmente bela para o especialista com treinamento técnico apurado e refinado. Não ocorre coisa muito diferente com outras áreas do conhecimento, muito menos com as ciências aplicadas. No entanto, quando desafios de transposição de obstáculos à apreensão de conceitos elaborados são vencidos com apoio de experimentação por parte do grande público, há uma espécie de redenção com o compartilhar desse conhecimento. Essa deve ser a inspiração para a redenção da matemática junto ao grande público, sem a necessidade extrema e única de torná-la útil em termos de produção convencional numa sociedade voltada para o desenvolvimento econômico e do consumo, mas também com a pretensão, por que não, de torná-la pertencente às pessoas como algo que as surpreende, as inspira, as emociona e as alegra.É assim que deve ocorrer com a transformação de conceitos matemáticos abstratos em experimentos concretos, tais como superfícies especiais, jogos e objetos surpreendentes que incomodem as pessoas e desloquem o foco de suas observações já condicionadas pelo convencional, privilegiando um novo olhar que possa acomodar novas sensações a partir da exploração de propriedades matemáticas profundas e essenciais que estão escondidas nas estruturas lógico-dedutivas do rigor formal.

Nesse contexto se inserem os objetivos deste trabalho, no sentido de consolidar a formação continuada do professor num ambiente de trabalho colaborativo não somente entre aluno, escola e universidade, mas também na busca de ecos na comunidade a partir da aprendizagem e incorporação de técnicas que possam dar conta de concretizar ou mesmo fabricar os objetos matemáticos. Essa prática colaborativa amplificada pode romper com angústias no processo de aprendizagem e aproximar a matemática do processo de desenvolvimento de conhecimento universal e da cultura como um todo. Assim, pretende-se abrir um espaço para a formação continuada de professores e de graduandos através da reflexão sobre a matemática vista como pertencente ao construto humano.

Então, como objetivos para consolidação do subprojeto, temos:

  1. Criar objetos e experimentos matemáticos com materiais concretos que possam auxiliar o processo de aprendizagem de conceitos matemáticos;
  2. Tornar a matemática mais próxima das pessoas, não apenas como conjunto de conceitos abstratos, mas principalmente como algo que pode ser tocado e que emana beleza e surpresa;
  3. Envolver alunos de Licenciatura em Matemática com a realidade do processo de ensino-aprendizagem em curso nas escolas públicas e incentivá-los a tornar suas ações junto ao magistério objeto de reflexão e de desenvolvimento de pesquisa;
  4. Aproximar os professores das escolas conveniadas da universidade para (re)iniciar processos de formação continuada.

 

 

Subprojeto de licenciatura: QUÍMICA
Coordenador de área do Subprojeto: MAISA HELENA ALTARUGIO
Plano de trabalho É de conhecimento dos professores de ciências o fato de a experimentação despertar um forte interesse entre alunos de diversos níveis de escolarização. Em seus depoimentos, os alunos também costumam atribuir à experimentação um caráter motivador, lúdico, essencialmente vinculado aos sentidos. Por outro lado, não é incomum ouvir de professores a afirmativa de que a experimentação aumenta a capacidade de aprendizado, pois funciona como meio de envolver o aluno nos temas em pauta.(Giordan, 1999)1.No entanto, o uso de experimentos na escola, na maioria das vezes, restringe-se à execução de um conjunto de procedimentos que transmite ao estudante uma visão estática do fazer científico, além de uma “verdade” pronta e isolada, encerrando-se como um fim em si mesmo.

De acordo com as Orientações Curriculares Nacionais para o ensino de química, a contextualização, ao lado da interdisciplinaridade, prevê a abordagem de situações reais trazidas do cotidiano ou criadas na sala de aula por meio da experimentação, como adequada aos processos de ensino-aprendizagem. Nesse sentido “defende-se uma abordagem de temas sociais (do cotidiano) e uma experimentação que, não dissociadas da teoria, não sejam pretensos ou meros elementos de motivação ou de ilustração, mas efetivas possibilidades de contextualização dos conhecimentos químicos, tornando-os socialmente mais relevantes”2. Reforçando a idéia de que a finalidade da educação básica é assegurar ao educando a formação indispensável ao exercício da cidadania, Santos e Schnetzler (1996)3 consideram que a abordagem de temas sociais propicia ao aluno o desenvolvimento de atitudes e valores aliados à capacidade de tomada de decisões responsáveis diante de situações reais. Nesse sentido, sugere-se trabalhar, por exemplo, a partir de temas como poluição, recursos energéticos, saúde, cosméticos, plásticos, metais, lixo, química agrícola, energia nuclear, petróleo, alimentos, medicamentos, agrotóxicos, águas, atmosfera, solos, vidros, cerâmicas, nanotecnologia, entre tantos outros temas abordados, também, em livros paradidáticos, orientados para o ensino médio.

É na perspectiva de contribuir para uma educação científica que promova a formação de cidadãos capazes de fazerem uso de seus conhecimentos para participar, refletir e tomar decisões referentes às questões ligadas ao seu cotidiano, que propomos este projeto.

Neste projeto, os bolsistas PIBID se envolverão com o projeto pedagógico das escolas, com os professores e seus planejamentos, além dos estudantes, a fim de proporem intervenções pedagógicas que explorem atividades experimentais e os conteúdos científicos a elas associados, conectando-os a temas sociais relevantes tanto para o cotidiano das comunidades em torno da região do ABC, quanto nacionais e mundiais. Para favorecer e fortalecer a parceria escola –universidade, caberá ao professor supervisor da escola, participar das reuniões do PIBID na universidade, bem como dos colóquios e seminários que são propostos pela área na UFABC.